VOCÊ PLANEJA A VIDA FINANCEIRA PARA LIDAR COM A MORTE?
Fabiana M. Machado

O falecimento de uma pessoa querida e companheira não é fácil e, diante da tristeza, ainda ter que lidar com o dinheiro pode aumentar o desconforto do momento, principalmente se quem faleceu cuidava das finanças da família.
E ainda não são raras as surpresas após o falecimento, desde não saber a senha da conta bancária até descobrir que não tem mais o dinheiro da família investido como imaginava.
Nos relacionamentos em que as mulheres confiaram ao marido falecido resolver as “questões relacionadas a dinheiro”, seja para pagar as contas no dia a dia, seja para decidir onde investir o dinheiro, a falta de envolvimento da mulher nas finanças pode trazer dificuldades, prejuízos e decepções após a morte.
Digo envolvimento não no sentido de fiscalizar ou acompanhar tudo o que ele fazia, mas no sentido de estar por dentro e ter, no mínimo, informações sobre o dinheiro que, vamos frisar, envolve a sua própria vida.
Transferir para o outro e confiar pode ser uma escolha ou falta de opção, já que, infelizmente, para algumas mulheres, ainda não é permitido ter acesso à vida financeira do homem ou da família. Eles decidem e ponto final. Triste realidade, pois o ponto final pode ser apenas para ele e não para a mulher que continua viva.
Mas, para muitas, o envolvimento com o dinheiro, nas diversas fases da vida, ainda parece distante. Apenas conversam sobre as decisões que estão sendo tomadas, mas delegam ao outro a incumbência de providenciar e cuidar do dinheiro, dispensando o mínimo de diálogo sobre o que tem em conjunto e o que fazer quando algum dos dois faltar.
Sei que é um comportamento comum e que pode envolver trabalho e discussão para trazer à tona, o que torna mais conveniente deixar como está e confiar. Mas um pode faltar a qualquer momento. E aqui toca outro ponto: temos dificuldade de tratar da morte, o que faz com que lidemos com esse assunto (e suas consequências) apenas quando ocorrer.
Mas é preciso assumir que somos finitos e colocar isso abertamente no nosso planejamento, tratando de forma clara e natural as questões que envolvem dinheiro durante e após a vida.
Então, esteja preparada para lidar com a triste realidade de uma morte na família. A dor da ausência e muitas burocracias não podem ser evitadas, mas que seja de uma forma mais leve e sem surpresas e dificuldades, tendo claro que algumas situações podem ser resolvidas em vida. De forma prática, você pode começar com as seguintes informações:
- Se a conta corrente no banco é só dele, você sabe o número e a senha? Ou onde obter se for preciso?
- Como irá arcar com as despesas imediatas após a morte?
- Se tem algum seguro, você tem uma cópia da apólice para saber o nome das pessoas que vão receber o dinheiro e como acionar o seguro?
- Se ele tem algum dinheiro guardado na poupança ou outro investimento? Onde está?
- Se ele fez uma previdência privada, verifique se ela dá direito a algum tipo de pensão, se só será possível resgatar todo o saldo ou, ainda, se não terá direito a nada.
- Se tem previdência para as crianças, está de fato no nome das crianças ou no nome dele e as crianças apenas como beneficiárias?
- Tem alguma pasta ou arquivo que possa guardar os documentos, por exemplo, de dados bancários, seguro, previdência e imóveis?
São informações bem simples, mas que farão toda a diferença em um dos piores momentos da vida.

Fabiana M. Machado
Sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Colunista do Bella Mais, um site dedicado ao universo da mulher em diferentes segmentos, e escrevo semanalmente textos relacionados ao comportamento financeiro ao público feminino.
Quer saber mais? Acompanhe a coluna semanal. Todas as quintas tem texto novo para você refletir sobre a sua relação com dinheiro.
Quer organizar a vida financeira e construir uma relação mais consciente e saudável com o dinheiro?
*Este texto foi publicado no site Bella Mais, em 01/outubro/2020.