Vamos falar de dinheiro?

Um convite para repensar a relação que a mulher tem com o dinheiro

Falar de dinheiro ainda é um tabu. E evitamos tanto falar de dinheiro, que é comum usar sinônimos para falar de forma mais agradável ou aceitável algo que está presente na nossa vida diariamente:

Onde vou investir meus recursos financeiros?

A minha condição financeira não me permite investir agora.

A minha situação financeira não é favorável.

As minhas receitas e despesas não estão equilibradas.

Preciso organizar as minhas finanças.

Preciso fazer o meu orçamento doméstico.

A quantia que recebo pelo meu trabalho é pouca.

Estou sem nenhum tostão.

A grana está preta.

O montante que eu tenho na conta está negativo.

Vou pagar a bagatela de dez reais.

Isso custa a importância de mil reais.

Isto é muito caro; prefiro pagar o mais barato.

Não gostamos de falar de dinheiro ou, no mínimo, não nos sentimos confortáveis para falar sobre ele. Mas, independente da linguagem que usamos, lidar com o dinheiro continua sendo necessário e faz parte da nossa vida.

A questão é que olhar para o dinheiro e tudo o que está associado a ele pode ser doloroso e negativo, o que faz com que ele se torne o vilão da história.

Mas, todas nós temos a nossa própria história com o dinheiro. Situações que vivemos desde a nossa infância, tais como não falar abertamente sobre dinheiro com os pais, sermos poupadas da realidade financeira da família, sermos dependentes financeiramente ou quando o dinheiro é motivo de discussão ou traição, faz com que sentimentos como vergonha, ansiedade, insegurança e frustração se tornem comuns na relação com o dinheiro.

Em geral, as mulheres desejam independência e liberdade financeira, empreendem ou buscam seu espaço no mercado de trabalho, mas ainda vivem com grande sentimento de culpa, incapacidade e falta de merecimento ao lidar com o dinheiro.

E esses sentimentos geram dificuldades e dilemas em todos os aspectos das nossas vidas:

Seja como empreendedora, na hora de colocar o preço no serviço, cobrar um cliente ou gerir o próprio negócio; seja como profissional que não sabe gerenciar os seus ganhos e muitas vezes se prende ao salário para se sentir segura.

Como mãe, a dificuldade de dizer não ao pedido de um filho, usar o dinheiro como forma de afeto e compensar a ausência, muitas vezes repetindo o padrão em que foi criada.

Nos relacionamentos, o dinheiro é conhecido como causa da maioria das separações e a mulher ainda se vê dependente e deseja que o companheiro assuma as despesas da casa.

Qualquer que seja a sua experiência com o dinheiro, quanto mais falar sobre o assunto, mais fácil será lidar com o dinheiro, com mais liberdade e consciência e de uma forma que faça sentido na sua vida.

Quer saber mais? Acompanhe a minha coluna semanal no Bella+. Vamos juntas nesta jornada!

*Esse texto foi publicado no canal Bella+. Para conferir, acesse aqui.

Fabiana G. Mendonça Machado

Sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Trabalha com processos individuais, treinamentos e palestras com foco em comportamento financeiro, ajudando as pessoas a organizar a vida financeira e lidar com o dinheiro com mais liberdade e consciência.

É colunista do Bella+, um site dedicado ao universo da mulher em diferentes segmentos, e escreve semanalmente textos relacionados ao comportamento financeiro ao público feminino.