Qual é a medida do seu sucesso?

O risco de transferir para o dinheiro uma responsabilidade que ele não tem

Ter dinheiro está muito associado a ter sucesso. E vice-versa. Com isso, a percepção de valor que temos de nós mesmas e da nossa própria vida pode variar de acordo com a nossa conta bancária. Uma relação que vai além da capacidade de gerar e gerir o próprio dinheiro para o sustento e passamos a associar o nosso próprio valor à quantia de dinheiro que temos. Mas, essa medida pode custar muito caro.

Sabemos que estamos vivendo uma época de muito consumo. E percebo que ficou difícil se valorizar quando o dinheiro que se tem não é o suficiente para suprir todas as vontades. Na verdade, nunca será! Desejo humano nunca tem fim, mas o dinheiro tem.

Esse é um dos motivos porque é tão difícil manter a vida financeira organizada. As planilhas e os aplicativos de controle financeiro estão aí para ajudar, mas, na maioria das vezes, não funcionam. Ao contrário, só aumentam a frustração por não ter mais dinheiro ou não conseguir controlar.

Estamos vivendo também uma realidade de desempregos, profissionais que não conseguem gerar dinheiro com o próprio negócio ou se recolocarem no mercado, além da inadimplência crescendo a cada mês.

Com isso, vão surgindo inúmeros problemas financeiros e fica difícil olhar para a conta bancária; não apenas pelas dívidas, descontrole ou falta de dinheiro, mas pelo turbilhão de emoções e sentimentos que estão associados ao dinheiro.

Surgem o medo, a vergonha e a sensação de fracasso e impotência por não conseguir gerar dinheiro, sentimentos esses que são abafados ou camuflados o máximo possível.

As qualidades e os talentos infelizmente são deixados de lado. E, diante da dificuldade em encontrar uma solução, muitas pessoas vão se desconectando da sua realidade interior e dos próprios valores e passam a não encontrar mais sentido, o que pode levar não apenas à ansiedade, mas ao desespero, depressão e até suicídio.

O maior investimento é a vida

Mas, você não é o seu dinheiro e, portanto, a quantia que possui não representa quem você é. O dinheiro serve para atender às necessidades e não irá preencher vazios.

Se o dinheiro está sendo usado para comprar objetos que irão fazer você “ter” sucesso, mas só tem gerado dívidas, ou se não está sendo possível gerar dinheiro com o seu talento, procure ajuda. Fale dos seus medos e necessidades. Não é motivo de vergonha. É uma realidade que atinge a todos e o problema pode ser resolvido.

Quando falamos de dinheiro, sucesso, valor e vida, temos que ter em mente que o dinheiro é necessário, mas não deve ser a medida do sucesso. A vida tem muito mais valor.

Esse é um convite especial à reflexão porque estamos no “Setembro Amarelo”, o mês da campanha de prevenção ao suicídio. Prefiro chamar do mês de Valorização da Vida. Afinal, a vida é o nosso maior patrimônio. Merece aplicações diárias de atenção e cuidado para ter um rendimento mais que positivo, não só para você, mas para todos que estão à sua volta. Então, invista. Vale a pena.


*Esse texto foi publicado originalmente no site Bella Mais.

Fabiana G. Mendonça Machado

Sou sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Trabalho com programas individuais, treinamentos e palestras com foco em comportamento financeiro, ajudando as pessoas a organizar a vida financeira e lidar com o dinheiro com mais liberdade e consciência.

Sou colunista do Bella Mais, um site dedicado ao universo da mulher em diferentes segmentos, e escrevo semanalmente textos relacionados ao comportamento financeiro ao público feminino.

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