O VALOR DA MÃE NA TAREFA DE EDUCAR

Fabiana M. Machado

O Dia das Mães está chegando! A data é de encontros, com reunião das famílias e presentes, mas, neste ano, será de desencontros por causa do distanciamento social e da proteção aos idosos, em razão da pandemia. Ainda assim, é possível comemorar e reconhecer o valor da mãe em sua tarefa de educar.

O encontro com a mãe não precisa ser presencial; pode acontecer dentro da gente. Não precisa ter presente; pode ser presente. Não precisa de grandes textos ou palavras; pode ter grandes reflexões.

A mãe é a nossa origem. Seja a mãe biológica, a adotiva, a que nos criou. Aquela que esteve presente ou ausente. É a nossa referência. E, como tal, é aquela que nos educou a lidar com o dinheiro.

Você pode pensar: “Como assim: educou a lidar com o dinheiro? A minha mãe não me ensinou nada sobre dinheiro!”

Eu estou dizendo: EDUCAR e não ENSINAR. A educação se dá pelas ações e omissões, o que foi dito ou apenas observado, pelas orientações, pela comunicação e, principalmente, pelo exemplo. Educação é a base que recebemos quando crianças.

Nem sempre as memórias da mãe são positivas ou compreensivas, mas, como todo ser humano, ela também está no seu processo evolutivo. Toda mãe teve os seus medos, suas dificuldades,  suas responsabilidades, suas vontades, suas cobranças. E alguma mensagem ela passou sobre o dinheiro. O que aprendemos com isso?

Há dinheiro pra tudo? Para todas as vontades dos filhos? Todos os prazeres que o dinheiro pode proporcionar? Não mesmo. E como dói um “não” da mãe, mas dói também a incompreensão e cobrança de um filho por tudo desejar e a mãe não poder atender. Isso ajuda a ter limite e não gastar mais do que pode ou deseja.

As mães não precisam (nem devem) atender a todos os pedidos dos filhos, mas há mães que acham que por meio de coisas podem demonstrar o seu afeto ou ter mais proximidade com o filho. E, às vezes, exageram. Buscam compensar sentimentos de culpa por meio de presentes. Isso não quer dizer que os filhos têm o direito de ter tudo.

Mães de todos os tipos

Há mães que punem os filhos quando erram, dizem que não merecem e, muitas vezes, cortam o dinheiro ou a mesada. Isso não quer dizer que o filho é um fracasso e não tem valor com as suas escolhas, mas apenas que errou. Pensar diferente levará a gastar muito dinheiro para tentar ser alguém de sucesso.

Há mães que trabalharam fora, deram duro para ter o dinheiro. E querem o mesmo para os seus filhos. Há mães que trabalharam em casa. E querem que seus filhos saiam. Isso não significa que o dinheiro seja um problema ou que tenha que ser fruto de muito sacrifício. Mas significa que é preciso dar valor.

Há mães que não ensinaram a economizar e investir e só reclamaram do dinheiro ou da falta dele para dar conta de tudo. Isso não significa que elas não sabiam o que fazer com o dinheiro. E fizeram as suas escolhas.

Há mães que têm dificuldade de falar de dinheiro. Mas são ótimas a dar conselhos sobre ele, mesmo diante de uma discussão.

Por não compreender esses comportamentos, há filhos que cobram das mães aprendizados sobre o dinheiro; afinal é mais fácil cobrar dela essa fatura do que admitir que é preciso fazer algo para mudar.

Há filhos que querem ser livres e tomar as próprias decisões com o dinheiro, mas dificilmente aceitam as decisões da mãe e não se sentem capazes de assumir as próprias escolhas.

Há filhos que buscam estabilidade e segurança nos negócios, no trabalho, uma garantia de salário, e não enxergam que a mãe não pode mais carregá-los por toda a vida.

Nessa arte de educar, as mães sabem que o custo de um filho não é apenas financeiro… tem também o custo da cobrança de tentar acertar, mas errar, e de ser a responsável pelo caminho que os filhos irão trilhar, como se não os tivessem ensinado a caminhar.

Mães, que ensinaram muito mais do que imaginamos, tenham um feliz e reconhecido dia de comemoração!

Com facilidades e dificuldades, erros e acertos, elogios e críticas, pelas lições dadas ao seu tempo, à sua forma e de acordo com os seus valores. Cada mãe tem o seu devido valor.

A educação foi dada. Façamos igual ou façamos diferente, mas o resultado só cabe a nós, filhos. Mas, se aqui estamos, o resultado já é um sucesso. Graças à mãe!

Fabiana M. Machado

Sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Colunista do Bella Mais, um site dedicado ao universo da mulher em diferentes segmentos, e escrevo semanalmente textos relacionados ao comportamento financeiro ao público feminino.

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*Este texto foi publicado originalmente no site Bella Mais, em 07.maio.20.