O PLANEJAMENTO FINANCEIRO E O VELÓRIO DAS DESPESAS

Fabiana M. Machado

Planejar as finanças se tornou mais que necessário com a pandemia, principalmente a curto prazo, diante da redução de salários e incertezas de ter dinheiro no futuro. Mas o planejamento parece estar distante da realidade (e vontade!) de muitos. Enquanto uns alegam que é muito trabalhoso ou não sabem por onde começar, outros têm o hábito de só anotar as despesas que tiveram no passado, sem pensar no futuro.

O planejamento financeiro envolve organizar as finanças, fazendo um orçamento pessoal para ajustar o seu estilo de vida ao seu bolso. E ainda ajuda a ter clareza para tomar decisões financeiras.

De modo bem simples, é saber quanto dinheiro irá entrar e para onde irá o dinheiro. O planejamento tem um olhar para o futuro, devendo inclusive prever em quanto tempo toda essa movimentação de dinheiro irá acontecer para que você possa pagar as contas do mês, ver se dá para economizar e pensar em como fará a sua viagem no fim de ano ou aquela reforma na cozinha, por exemplo. E a grande lição do momento: fazer a famosa (mas não tão íntima da maioria das pessoas) reserva financeira.

A pandemia está ensinando sobre as consequências de não ter uma reserva, algum dinheiro guardado, que esteja à disposição para quando precisar. Se você não guardou dinheiro, também não é hora de se culpar e remoer o passado. Mas é hora de ajustar as contas e não piorar a situação. E, para você começar:

  • Quanto dinheiro entrará nos próximos 3 meses? Paga todas as despesas mês a mês?
  • Quais as despesas nos próximos 3 meses?
  • Que despesas você pode reduzir? Simples hábitos em casa podem ajudar a economizar, como o uso moderado de ar condicionado, energia elétrica e desperdício com a alimentação.

O velório das despesas

Para planejar é necessário ter consciência de todas as despesas. Some os boletos das contas da casa, escola, saúde, etc. e, para os gastos que ocorrem ao longo do mês, como mercado (alimentação, limpeza e higiene), transporte e farmácia, a boa e velha anotação ajuda, em um caderno, planilha ou aplicativo. Se preferir, pode conferir direto no extrato do cartão de crédito ou do banco.

Gastou muito? Qual despesa foi alta? Vai ser assim no próximo mês? Está gastando mais do que entrou? Tem algum motivo ou apenas se excedeu? Entrou no cheque especial? Está pagando juros? Todas essas informações ajudarão a planejar o seu orçamento para o mês seguinte e a fazer os ajustes necessários para manter a sua vida financeira em dia.

Pode ser que você precise de mais dinheiro, não consiga pagar tudo em dia, terá um montante para investir…seja como for, com o planejamento, é possível se organizar previamente.

Mas se você tem o hábito de gastar e anotar as suas despesas do passado depois, sem saber para onde foi ao certo o dinheiro e não usar essas informações para fazer o seu planejamento, o que você está fazendo é o velório das despesas!

Afinal, para que servem essas anotações se você repete o comportamento todos os meses e não se planeja com antecedência, se perde nas contas e fica sem ter clareza do que pode acontecer com a sua vida financeira nos próximos meses? Hora de repensar o seu comportamento e olhar as despesas do passado para clarear o futuro.

É trabalhoso ou desconfortável?

Algumas pessoas acham trabalhoso registrar as receitas e despesas para acompanhar o fluxo do dinheiro durante o mês. 

Mas se você continua sem saber com o quê gasta, não conseguindo se organizar e planejar, e se sente desconfortável ao ter que lidar com o dinheiro, o problema pode não ser o trabalho de parar para olhar para a sua vida financeira, mas sim o que está por trás do seu comportamento.

Observe-se. Com um olhar mais atento, você pode perceber que a dificuldade não é com o dinheiro, mas com o que você pensa e sente em relação a ele. 

*Este texto foi publicado no site Bella Mais, em 20/agosto/2020.

Fabiana M. Machado

Sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Colunista do Bella Mais, um site dedicado ao universo da mulher em diferentes segmentos, e escrevo semanalmente textos relacionados ao comportamento financeiro ao público feminino.

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