O BEM-ESTAR FINANCEIRO DOS FUNCIONÁRIOS

Dados auxiliam a identificar o dilema do trabalhador ao lidar com o dinheiro.

André Luiz e Fabiana Machado

A ideia por trás do conceito de Bem-Estar

O conceito de bem-estar tem relação direta com a noção de uma qualidade de vida satisfatória no seu mais amplo sentido. Embora a expressão “bem-estar” tenha começado a ser utilizada ainda no século XVII como sinônimo de saúde física, logo passou a contemplar as questões materiais com a percepção de que o Estado era constituído com o único objetivo de tornar mais fácil o acesso das pessoas às suas necessidades básicas. Surgia aí a noção do bem-estar social e talvez a declaração de independência dos Estados Unidos da América, em 4 de julho de 1776 seja o mais marcante exemplo ao anunciar, logo em seu segundo parágrafo, que os governos são instituídos pelos homens para garantir, dentre outras coisas, a felicidade de um povo. 

Já em tempos mais recentes, em 1948, a Organização Mundial da Saúde divulgou a sua carta de princípios trazendo para o centro do debate o direito à saúde como obrigação do Estado e definindo que “ saúde é o estado do mais completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de enfermidade”. Embora quase 30 anos mais tarde, em 1977, o conceito tenha sido revisto para “saúde é ausência de doença”, o conceito mais amplo trouxe para o centro das atenções os aspectos mentais e sociais como fatores que impactam a saúde física.

Dessa visão, derivou uma outra expressão que se tornou bastante utilizada a partir da década de 1980: qualidade de vida.

O Dinheiro no conceito de Bem-Estar

Como podemos observar, logo no início da utilização da expressão, as questões materiais foram lembradas como essenciais para que as pessoas atingissem a condição de bem-estar. Mas essa visão acabou sendo sobreposta por aspectos mais subjetivos, embora importantíssimos, o mental e o social. 

Com o passar do tempo, a realidade foi se impondo e deixando mais evidente a influência das questões econômicas e financeiras em todas os fatores do bem-estar: o físico, o mental e o social. Pessoas sem dinheiro suficiente para suprir suas necessidades básicas ficam mais sujeitas a problemas físicos, mais vulneráveis aos problemas mentais e por consequência acabam tendo prejudicados os fatores sociais.

Bem-Estar Financeiro nas empresas

A visão holística quebrou o paradigma existente no universo corporativo de que os problemas pessoais não deveriam ser levados para o trabalho. Primeiramente, com a percepção de que pessoas com problemas crônicos de saúde, tais como alcoolismo, tabagismo ou obesidade, eram menos produtivas e faziam a empresa incorrer em mais custos.

Com o tempo, as empresas passaram a criar programas para incentivar a qualidade de vida envolvendo os aspectos físicos (ginástica na empresa, alimentação saudável, esportes, etc.), mentais (meditação, assistência psicológica, etc.) e sociais (sala de descompressão com acesso a lanches, jogos e videogame, etc.)

No entanto, chegamos a 2020, com muitos gestores de RH frente ao desafio de elaborar de uma política de benefícios capaz de trazer os melhores resultados, tanto para os funcionários quanto para a empresa, deparando-se com o dilema:

1) continuar investindo nos programas tradicionais de qualidade de vida, ou

2) incluir um programa de bem-estar financeiro para lidar com o estresse financeiro de seus funcionários, com resultados efetivos.

Embora vários estudos já tenham sido publicados demonstrando quanto o bem-estar dos funcionários melhora os resultados das empresas, cabe aqui destacar um recente estudo publicado em 2019 por Christian Krekel, George Ward e Jan-Emmanuel De Neve, todos da London School of Economics, entitulado “Employee Wellbeing, Productivity and Firm Performance”. Eles analisaram 339 estudos já publicados procurando responder a pergunta: “Um maior bem-estar dos funcionários leva a uma produtividade maior e, em última análise, a benefícios tangíveis para os resultados financeiros das empresas?” A resposta que encontraram foi que funcionários mais satisfeitos são mais produtivos, trocam menos de emprego e mantém clientes mais fiéis. Por consequência, contribuem para aumentar a rentabilidade dos negócios.

Portanto, as empresas à frente de seu tempo e que mais valorizam seu capital humano já perceberam o imenso potencial transformador que o bem-estar financeiro dos funcionários tem nos resultados de seus negócios.

Talvez a maioria da empresas ainda não tenha despertado para a importância dos programas de bem-estar financeiro por não compreenderem do que se tratam exatamente. 

Com já mencionado, o conceito de bem estar envolveu inicialmente apenas três fatores: físico, emocional e social. Entretanto, as questões financeiras passaram a afetar, de forma relevante, esses três fatores a ponto de passar a ser incluído como o quarto fator. Como toda novidade, o conceito de bem-estar financeiro surgiu de forma meio vaga e difusa, incluindo questões pontuais como educação financeira  e investimento em previdência privada para garantir a aposentadoria. 

De modo geral, as empresas no Brasil passaram a investir milhões de reais na elaboração e contratação de programas de educação financeira, oferecendo conhecimento financeiro para seus colaboradores lidarem com questões relacionadas a orçamento, organização e planejamento financeiros, além dos aspectos relacionados a investimentos.

Mas, o número de colaboradores com problemas financeiros continua crescendo ano após ano. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor – PEIC, divulgada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio desde 2010, entre 50% e 60% das famílias brasileiras estão endividadas, tendo como componente principal as dívidas com cartão de crédito. 

Tendo em vista os elevados investimentos em educação financeira não produzirem os resultados esperados, estudos e pesquisas passaram a ser realizados levando em consideração não apenas o nível de educação financeira, mas também seus impactos na mudança de comportamento em relação do dinheiro. 

Com o objetivo de verificar a eficiência dos investimentos feitos em programas de educação financeira e de alfabetização financeira como instrumentos capazes de influenciar o comportamento, os autores Daniel Fernandes, John G. Lynch Jr. e Richard G. Netemeyer, publicaram um estudo na revista Management Science, em janeiro de 2014, no qual analisaram os resultados publicados em outros 168 artigos e chegaram a conclusão de que “intervenções para melhorar o conhecimento financeiro explicam apenas 0,1% da variação nos comportamentos financeiros estudados”.

Nessa mesma linha, em outubro de 2017, o economista norte-americano Richard Tahler foi o escolhido para receber o Prêmio Nobel de Economia pelo seu conjunto de pesquisas desenvolvido ao longo de 40 anos, demonstrando a importância de se levar em consideração o comportamento humano na tomada de decisões econômicas, em especial a tendência de não se comportar de forma completamente racional. 

Sendo assim, é nesse contexto que a abordagem para enfrentar os desafios trazidos pelo aumento dos níveis de endividamento dos colaboradores deve evoluir. É preciso inovar e ir além dos tradicionais métodos de educação financeira. 

Bem-Estar Financeiro na visão dos funcionários

Um dos maiores desejos de qualquer funcionário é transformar todo seu esforço, comprometimento e dedicação ao trabalho em estabilidade financeira. Mas, para atingirem esse objetivo, cada um percorre sua própria jornada, no seu próprio tempo e de acordo com os seus valores, de modo que as fórmulas de gestão e orçamento não são iguais para todos.

E para entender a relação existente entre situação financeira versus qualidade de vida, a MoneyMind começou a fazer pesquisas em 2013 para avaliar como a situação financeira dos trabalhadores brasileiros impacta a qualidade de vida e os indicadores mostram que mais de 55% das pessoas empregadas declaram preocupação com a situação financeira.

A Pesquisa Anual de Bem-Estar Financeiro dos Funcionários feita pela consultoria PwC nos EUA também tem mostrado que lidar com as questões financeiras é a maior fonte de estresse para quase 60% dos trabalhadores.

As duas pesquisas mostram, ainda, outro indicador relevante: entre os funcionários sob estresse financeiro, a atenção ao trabalho e a produtividade caem pela metade.

As pesquisas passaram a indicar também que os funcionários estão preocupados e estressados mesmo é com as questões financeiras que precisam enfrentar no dia a dia: pagar o cartão de crédito, quitar o consignado, pagar a escola dos filhos, comprar/trocar o carro, comprar uma casa para morar, o que evidencia não ser fator revelante a aposentadoria.

Quanto aos programas de educação financeira promovidos pelas empresas, os dados das nossas pesquisas demonstram que o maior acesso a informações sobre o assunto deram resultados positivos reduzindo para próximo de zero o percentual de pessoas que declaram não ter conhecimentos de finanças. 

Por outro lado, uma quantidade maior de pessoas educadas financeiramente não reverteu as tendências de aumento na quantidade de pessoas preocupadas e até mesmo estressadas com suas respectivas situações financeiras. Isso causa um grande impacto na produtividade do trabalho visto que uma proporção significativa dos colaboradores passa a maior parte do tempo no trabalho preocupado com sua situação financeira, chegando ao extremo de faltar ao trabalho para resolver problemas financeiros, em uma proporção que praticamente triplicou ao longo do período das edições da pesquisa. 

No tocante ao sentimento mais associado ao dinheiro, em uma amostra de 1.465 indivíduos, sendo 992 do sexo feminino e 473 do sexo masculino, para 62,9% das pessoas, foi ansiedade. Por outro lado, o sentimento positivo que apareceu em primeiro lugar foi otimismo, mas para apenas 42,3% das pessoas. 

Os dados coletados por meio dos diferentes instrumentos, em períodos de tempo diversos e com populações variadas, demonstram uma tendência de padrões de comportamento preocupantes sob a ótica da saúde mental dos indivíduos, com impacto direto no aumento dos indicadores de presenteísmo, absenteísmo e turnover. 

Todos os dados obtidos em nossas análises demonstram que a falta de conhecimento adequado sobre o perfil de comportamento financeiro dos colaboradores tem impacto direto no aumento dos custos e na diminuição dos resultados da empresa. 

Quanto ao benefício mais desejado pelos funcionários, segundo dados da PwC, é ter acesso a especialistas em finanças pessoais que não estejam vinculados a qualquer instituição financeira ou que tenham interesse em vender algum produto/serviço financeiro.

É aí que se encaixam os programas de bem-estar financeiro desenhados para a realidade de cada empresa, permitindo uma experiência personalizada aos seus funcionários para que se sintam seguros e confiantes para trilharem a sua jornada com o dinheiro, sabendo que podem contar como o apoio da empresa em que trabalham. Uma imensa oportunidade para as empresas aumentarem os níveis de engajamento e construirem uma relação de longo prazo.

Torna-se, assim, mais fácil compreender do que se trata um programa efetivo de bem-estar financeiro estruturado de acordo com o perfil dos funcionários: uma política estratégica de RH focada no planejamento financeiro pessoal com base no comportamento e na formação de patrimônio dos seus funcionários.

É possível gerenciar aquilo que se pode medir:

As bases para a elaborar um Programa de Bem-Estar Financeiro realmente estratégico

A quantidade de dados e informações apresentados até aqui demonstra a importância de se identificar a realidade vivenciada pelos funcionários. Dados sociodemográficos básicos como sexo, idade, número de dependentes, onde mora, grau de endividamento, níveis de estresse financeiro e tipos de relação com o dinheiro são essenciais para iniciar e estruturar um Programa efetivo. 

A estratificação desses dados é o segundo passo, pois permitirá planejar diferentes ações para cada tipo de perfis, necessidades e expectativas dos funcionários.

Na sequencia, o Programa deve prever iniciativas que, além da educação financeira tradicional, priorizem os aspectos comportamentais envolvidos na relação com o dinheiro e permitam o acesso individualizado a especialistas em finanças pessoais que não estejam vinculados a qualquer instituição financeira ou que tenham interesse em vender algum produto/serviço financeiro. Só assim a empresa será capaz de oferecer o benefício mais desejado pelos funcionários.

Por fim, tendo em vista a enorme carga de trabalho e a gama de responsabilidades que recaem sobre a área de Gestão de Pessoas, encontrar um parceiro estratégico contribui para o sucesso de um Programa de Bem-Estar Financeiro.

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