Não precisa economizar, é hora de usufruir!

Saiba como aproveitar o valioso tempo de quarentena em casa e melhorar a sua relação com o dinheiro

Isolamento em casa. Lojas fechadas. Negócios parados. Redução de jornada e de salário ou renda. Desempregos. Falta de dinheiro. Sem expectativa de movimentar a economia em breve. Hora de economizar. Economia forçada. Gastar com o trivial: casa, comida e roupa lavada. Mas não é preciso economizar no tempo que está em casa. É hora de usufruir!

Já percebeu como o tempo se tornou valioso? Agora, sem saídas, parece que temos tempo pra tudo em casa. Tempo se tornou abundante. Não que você consiga fazer o que quiser, mas tem a sensação de poder escolher o que fazer. Afinal, tem mais tempo pra isso.

Antes era “hora pra isso, hora pra aquilo” e uma infinidade de tarefas tomava conta do tempo, deixando de lado coisas mais simples, embora não menos importantes.

Hoje, saímos do automático e conseguimos ver que sobra tempo para fazer coisas que não fazíamos antes. E o que esse tempo disponível pode ensinar a melhorar a relação com o dinheiro?

No dia a dia, entramos no automático para trabalhar (em casa ou fora), ter dinheiro e pagar contas. Pensar em usufruir do dinheiro só se for com a viagem pra praia, passeios, férias ou, quem sabe, na aposentadoria. Pensando assim, só nesses momentos o tempo e dinheiro gastos valem a pena.

Mas você reconhece o valor das coisas que custaram tempo e dinheiro e fazem parte do seu dia a dia?

A casa que acolhe, os objetos que facilitam, os alimentos que dão energia (e prazer!), as roupas que vestem, os livros que ensinam, etc. será que conseguimos aproveitar tudo que investimos dinheiro? Se é por falta de tempo, agora é a hora!

Descobrir um canto da casa que curte (mesmo que seja o travesseiro), afinal, você gastou dinheiro com móveis e objetos, mas nunca conseguiu aproveitar como gostaria.

Ler aquele livro comprado há anos… já contou quantos livros comprou e não leu? Se pra você comprar livros é um bom investimento, não ler é jogar dinheiro fora, concorda?

Curtir o seu lar. Não a casa, mas o ambiente que você deseja: harmonioso, alegre, em paz, seja sozinha ou com as pessoas com quem vive. No dia a dia, é difícil perceber, mas é com a casa que gastamos dinheiro todos os meses, invariavelmente, para nela estar. Faça as contas de quanto custa o seu condomínio, prestação ou aluguel, água, luz, gás, limpeza, manutenção, objetos… aquela planilha que você não gosta de fazer mostra exatamente o custo da sua moradia. Será que não vale a pena aproveitar?

Usar os alimentos para fazer uma refeição saborosa e na rica companhia de você mesma ou daqueles que moram com você. E, ainda, evitar o desperdício. Afinal, você tem mais tempo para conferir o que tem na cozinha, usar a criatividade e economizar dinheiro, não é mesmo?

Explorar uma habilidade adormecida, aquele dom que você tem, mas pouco usa. Quem sabe não se transforma em inspiração para um novo negócio que renda dinheiro?

Abrir o armário e encontrar roupas esquecidas, que não usa há anos e, quem sabe, até com etiquetas. E você ainda acha que precisa gastar dinheiro com roupas?

Saber que aquela reunião com o cliente não precisava ser presencial, pois gastava muito tempo com deslocamento, energia e dinheiro. Agora pode ser mais produtiva e econômica.

Você pode não fazer nada. Não saber ao certo o que fazer e deixar o tempo passar. Talvez achar que não está aproveitando o tempo. Mas se a sua lista de coisas a fazer for extensa, não haverá tempo no mundo para dar conta de tudo. É preciso fazer escolhas. Abrir mão de algo, sem a sensação de que está perdendo algo… acha que todos estão conseguindo assistir todos os filmes e séries da TV, menos você? Sério isso? Pare de usar o tempo para se cobrar!

Aproveite o tempo para reconhecer o valor do que você tem em casa, do que você já comprou e como pode usufruir.

Estar em casa permite reavaliar os hábitos de consumo. Abra as gavetas, conheça os seus objetos guardados, pergunte por que comprou, por que não usou, onde vai usar, como pode aproveitar e, o mais importante, que sentido tem aquele objeto na sua vida?

Não economize no tempo de se conhecer. Usufrua da oportunidade de entender o que está por trás das suas decisões na hora de comprar roupas que não vai usar, de estocar alimentos que acabam estragando, de pagar uma conta que não é sua, de reclamar das contas da casa que te dão o conforto que precisa.

Também não economize no tempo de convívio com as pessoas no seu lar. Usufrua do que você tem para proporcionar momentos agradáveis e que valem a pena ser inesquecíveis. Não desperdice a oportunidade de cuidar mais de você, das pessoas e do seu lar. Não é hora de economizar em afeto.

Não deixe a ansiedade adiantar o tempo que ainda não chegou. E não use o tempo para se cobrar pelo que não fez ou não consegue fazer. Tudo ao seu tempo. E não economize em cuidados.

Mesmo quando o dinheiro faltar, não economize em boas palavras, elogios e abraços. Não se torne pobre em sentimentos. Usufrua da criatividade e inspiração. Certamente, irá ajudar a superar as dificuldades.

Não economize no tempo para entender o que realmente precisa para viver e sentir bem-estar. Não economize no tempo para valorizar a sua vida cotidiana. Usufrua do seu lar e daquilo que você diariamente gasta ou já gastou dinheiro.

Usufrua do tempo que está em casa para entender o que faz sentido para você. Tomar essa consciência irá ajudar a mudar o seu comportamento e criar novos hábitos.

Quando as coisas fazem sentido, economizar e usufruir fazem parte naturalmente do dia a dia. E o seu dinheiro agradece!

*Esse texto foi publicado originalmente no site Bella Mais, em 23.abril.20.

Fabiana G. M. Machado

Sou sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Trabalho com programas individuais, treinamentos e palestras com foco em comportamento financeiro, ajudando as pessoas a organizar a vida financeira e lidar com o dinheiro com mais liberdade e consciência.

Sou colunista do Bella Mais, um site dedicado ao universo da mulher em diferentes segmentos, e escrevo semanalmente textos relacionados ao comportamento financeiro ao público feminino.

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