À espera de um milagre

Estamos realmente dispostas a mudar a nossa relação com o dinheiro?

Estamos sempre em mudança. Mas, atualmente, em razão da tecnologia e informação ágil, parece que o mundo está mudando “mais rápido”. Vivemos a era do F.O.M.O. (Fear of missing out), que significa o medo de perder algo, alguma oportunidade, o que é uma verdadeira ansiedade social, mas nos faz acreditar que não podemos ficar de fora. Então, é preciso acompanhar a mudança.

Mas, a nossa mudança não é tão rápida assim e, na maioria das vezes, não escolhemos mudar. A mudança é necessária. Ela assusta e incomoda, é verdade. Mas, transforma e também liberta.

Quando se trata de dinheiro, a nossa mudança parece não acontecer. Mesmo sendo necessária e diante da possibilidade de transformação, ainda resistimos em mudar.

O dinheiro mudou para um meio eletrônico e se move rapidamente, em transações que são feitas em apenas um clique e em segundos. Criamos novas formas de dinheiro, mas, ainda assim, não entendemos o significado do dinheiro na nossa vida.

Continuamos evitando falar de dinheiro com a família, embora ele faça parte diariamente da nossa vida. Muitas vezes, nos sentimos envergonhadas ou constrangidas pela nossa história com o dinheiro e repetimos o mesmo padrão com os nossos filhos sem compreender o porquê.

Buscamos formas de enriquecer como solução de todos os problemas. Estamos abertas a receitas prontas e fórmulas quase mágica de simples e pouco esforço para nos tornar uma pessoa bem-sucedida com dinheiro no bolso. Mas sofremos por não conseguir pagar as contas e evitamos olhar para o dinheiro, para a conta bancária, para o extrato do cartão de crédito…

Sabemos que é preciso gastar dentro do orçamento, mas ainda assim, compramos coisas que não usamos, em excesso, passando o cartão de crédito sem se preocupar com a fatura e  assumimos dívidas para adquirir mais bens materiais.

Ao longo da história, o dinheiro foi transformando o mundo e também modificou os valores e crenças. E fomos deixando para o dinheiro o poder de decidir a nossa vida. Culpamos o dinheiro, por não suprir as nossas necessidades e desejos que variam de acordo com o nosso momento e meio em que vivemos, sem nos darmos conta se faz sentido a forma como vivemos.

Você já pensou o que faria na vida, que ainda não fez, e coloca a culpa no dinheiro? Por que resiste tanto à mudança? Um mergulho dentro de si irá permitir entender o que há por trás das suas escolhas e mudar o que for preciso.

Pra você, faz mais sentido encarar a mudança ou ficar à espera de um milagre?


*Esse texto foi publicado originalmente no site Bella Mais.

Fabiana G. Mendonça Machado

Sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Trabalha com processos individuais, treinamentos e palestras com foco em comportamento financeiro, ajudando as pessoas a organizar a vida financeira e lidar com o dinheiro com mais liberdade e consciência.

É colunista do Bella Mais, um site dedicado ao universo da mulher em diferentes segmentos, e escreve semanalmente textos relacionados ao comportamento financeiro ao público feminino.