Longevidade e dinheiro

Fabiana M. Machado aborda o sentido do dinheiro ao longo da vida

A longevidade já chegou. Recentemente, o Rio Grande do Sul passou a ser um Estado com mais idosos do que crianças e adolescentes de até 14 anos. A população gaúcha está mesmo se tornando mais madura e vivendo por mais tempo, passando dos 60, 70, 80, 90 anos de idade. O desafio agora é viver bem. Isso quer dizer com saúde e condição financeira para viver os próximos longos anos de vida.

De acordo com as fases da vida, a maturidade é (ou deveria ser) uma fase destinada a usufruir, com menos trabalho e preocupação em relação ao dinheiro, afinal, todas as responsabilidades da fase adulta de gerar dinheiro, constituir um patrimônio e garantir a aposentadoria já foram superadas. Concorda? Nem sempre, não é mesmo?

Há quem não tenha conseguido fazer um planejamento financeiro para garantir a tranquilidade nessa fase avançada da vida. Há quem deseje continuar trabalhando por se sentir produtivo e se aposentar não está nos planos. Há quem tenha se aposentado, mas não consegue pagar todas as contas. Há ainda quem tenha filhos dependentes financeiramente, mesmo adultos.

Quando falamos de dinheiro na maturidade, muitas vezes a escolha não está apenas em querer aproveitar ou querer trabalhar. Manter um estilo de vida, continuar ajudando os filhos ou conseguir pagar as contas básicas com moradia, saúde e alimentação, faz com que o trabalho ainda seja necessário. Mas, quando não é mais possível trabalhar e gerar mais dinheiro? 

Sabedoria é olhar para a realidade

Queremos ter longevidade com qualidade e sabedoria. Mas sabedoria não é juntar mais dinheiro para o futuro. Até porque, para quem está na maturidade, o futuro já chegou. Sabedoria é olhar para a realidade, seja qual for o momento da nossa vida. 

Se seu filho é criança, deixe claro sobre a real situação financeira da família de modo que viva dentro dos seus limites. Se seu filho está na idade adulta, estimule-o a gerar o próprio dinheiro para que seja capaz de viver a sua realidade.

Se você está na maturidade, sente, converse e avalie com a sua família como as contas serão pagas, independente de ter se programado ou não. Haverá dinheiro suficiente? Se não, o que será cortado? Alguém irá continuar trabalhando para trazer a renda necessária para a família? Dos filhos, quem está disposto e é capaz de ajudar?

Uma vez, estava palestrando e me perguntaram: “Se não consigo conversar muito com a minha família, como vou falar de dinheiro, que é tão complicado e motivo certo de conflito?” Questionei: “O dinheiro será mesmo o problema?” Sinceramente, lamento que o dinheiro esteja pagando a conta por uma relação mal resolvida.

Não procure culpados. Encare a realidade de frente. Às vezes, mesmo tendo se planejado durante a vida toda e tendo dinheiro guardado, é preciso avaliar o custo de um plano de saúde, cuidador ou moradia especial, principalmente a longo prazo. As pessoas estão vivendo mais. Questione se é realmente necessária aquela despesa, se é prioridade e se há alternativas.

A idade, por si só, traz muitos desafios e não apenas sobre como e quem deve pagar a conta, mas quanto tempo a nossa vida ainda vai durar. Muitas vezes, ficamos preocupados em planejar as finanças e deixamos de avaliar o sentido do dinheiro e de nos preparar para os ciclos e as mudanças que a vida nos traz. Mas aproveite que ainda dá tempo, pois a longevidade já chegou.


*Texto publicado originalmente no site Bella Mais, em 07.11.19

Fabiana G. Mendonça Machado

Sou sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Trabalho com programas individuais, treinamentos e palestras com foco em comportamento financeiro, ajudando as pessoas a organizar a vida financeira e lidar com o dinheiro com mais liberdade e consciência.

Sou colunista do Bella Mais, um site dedicado ao universo da mulher em diferentes segmentos, e escrevo semanalmente textos relacionados ao comportamento financeiro ao público feminino.

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