HERANÇA FINANCEIRA

Fabiana M. Machado

O Dia dos Pais me fez refletir sobre a origem do comportamento financeiro: o que herdamos e aprendemos com o nosso pai a respeito do dinheiro?

Finanças é um tema dificilmente ensinado pelos pais. Se não recebemos dos nossos, quem dirá eles dos seus pais. Isso vem de gerações. Comum que seja um tabu em muitas famílias. Mas, de alguma forma, os ensinamentos financeiros são passados de “pai para filho”.

Aquele pai provedor, responsável e capaz de lidar com o dinheiro. Um exemplo a ser seguido.

Aquele pai super generoso, que deu tudo o que o dinheiro podia comprar e, junto, deu a falsa segurança de que o dinheiro nunca vai faltar.

Aquele pai que deu estímulos e incentivos, mas, às vezes, exagerou com o peso de que é preciso trabalhar duro, pois “dinheiro não dá em árvore”, trazendo a ideia do sacrifício.

Aquele pai que adorava uma conversa longa ou sermão, mostrando que é preciso dar valor ao dinheiro ou até algo a se temer.

Nos discursos de que “o dinheiro não traz felicidade” ou “somos pobres, mas somos honestos”, aquele pai que exercitou a virtude da humildade, mas também honrou a pobreza.

Aquele que, tentando esclarecer sobre a vida, incorreu nas infelizes comparações de que “quem ganha muito dinheiro é desonesto” e acabou atribuindo às pessoas valor em razão da quantia de dinheiro.

Aquele que nunca se cansou de dizer que “o dinheiro é sujo”, orientando a se livrar logo do dinheiro.

Como forma de punição, aquele pai que alegava que o filho não merecia dinheiro porque não era bom o suficiente.

Durante toda a vida, aquele pai que serviu de exemplo na forma de gastar o dinheiro, mesmo que não tivesse sentido.

Nas discussões calorosas, aquele pai que só reclamava dos gastos da família, colocando o dinheiro como o vilão da história.

Aquele pai que demonstrava saber muito, mas tudo se resumia à velha receita: trabalha, gasta pouco e guarda. 

Aquele pai que se mostrava poderoso porque tinha dinheiro, mas não dava atenção e carinho. E você daria um milhão para receber o afeto dele. 

Pode ser consciente ou inconsciente, cheios de alegrias, conflitos ou contradições, o que ouvimos e vimos acontecer desde a infância, as experiências que tivemos com o nosso pai envolvendo dinheiro, é a herança que recebemos e que moldam o nosso comportamento financeiro atual.

São ensinamentos que vêm com as crenças e os valores do pai em relação ao dinheiro e podem ser motivo de orgulho e nos favorecer.

Mas podem nos prejudicar de modo que o estresse, ansiedade, medo ou desejo inconsciente de se livrar do dinheiro podem se tornar uma constante na nossa vida toda e o resultado, por mais que haja trabalho para gerar dinheiro, pode não ser como gostaríamos.

Qual a sua herança?

Tornando consciente a herança, é possível identificar e reavaliar o que você acredita a respeito do dinheiro e aproveite para abandonar aquelas crenças e “verdades” que não servem mais e escolher o que quer trazer para a sua vida.

Seja livre para escolher. Esse exercício irá permitir construir a ponte entre o passado e o presente para que possa aprender a comandar a sua vida financeira no futuro, com muito mais consciência e clareza do seu poder de realizar o que deseja. O pai fez o papel dele. Agora é hora de você fazer o seu.

*Este texto foi publicado no site Bella Mais, em 13/agosto/2020.

Fabiana M. Machado

Sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Colunista do Bella Mais, um site dedicado ao universo da mulher em diferentes segmentos, e escrevo semanalmente textos relacionados ao comportamento financeiro ao público feminino.

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