Dinheiro na mão é…

Quais as sensações que o dinheiro pode te dar?

Na última edição do Rock in Rio, o cantor Drake foi muito esperado e já chegou ao Brasil chamando atenção com o seu milionário avião particular. Embora ele fosse a atração do festival, um assunto, fora dos palcos, virou notícia nas redes sociais: sua estilista Mellany Sanches postou fotos com notas de Reais na mão, demonstrando estar encantada com o dinheiro brasileiro.

O assunto repercutiu rapidamente na internet e eu não poderia deixar de observar o comportamento por trás dos comentários que foram surgindo a respeito do dinheiro.

Mais do que ficar encantada com as belas e coloridas notas de dinheiro que trazem estampados os animais da fauna brasileira, eu pergunto: qual a sensação de ter dinheiro na mão? Como canta o nosso cantor brasileiro Paulinho da Viola, dinheiro na mão é vendaval? Ou dinheiro na mão é solução?

Dinheiro, dinheiro… onde ele estiver, vem bem. É necessário. Entra e sai da conta corrente, com um clique é possível transferir, pagar contas ou investir. Vivemos a era dos aplicativos e do cartão de crédito e aprender a usá-los faz parte da modernidade, mas o velho e bom contato físico ajuda a entender e transformar essa relação que temos com o dinheiro.

Imagine você com uma nota de dinheiro novinha nas mãos: bonita, lisa, limpa e dá até para sentir um cheiro bom. E você pode pensar: Ah, assim, até eu gostaria… (quem nunca, não é mesmo?). Mas esse dinheiro parece se distanciar da realidade brasileira. Parece que nós, brasileiras, ficamos mais deslumbradas e emocionadas do que Mellany vendo nosso dinheiro pela primeira vez, como se ele não fizesse parte da nossa vida.

Falando de emoção, surgiram vários comentários (no Twitter) como “eu desempregada, também ficaria emocionada”, “eu também ficaria porque não tenho na carteira” e “eu também fico quando tenho dinheiro em mãos, é sempre um momento especial”. Dinheiro é tão raro assim?

Houve ainda publicação de fotos com notas de dinheiro rasgadas, remendadas e sujas, e até comparação do Real com o Dólar: é como se o dinheiro brasileiro não valesse quase nada.

Como associamos coisas ruins ao dinheiro. Quantas vezes ouvimos, durante a infância, e hoje falamos repetidamente (e sem perceber) para os nossos filhos: “Dinheiro é sujo”. Parece que dá uma coceira nas mãos quando seguramos o dinheiro. O melhor a fazer é se livrar o quanto antes daquele papel sujo.

Por outro lado, se dinheiro é bom e bonito, parece estar distante de nós. Talvez a mensagem da estilista também pudesse ajudar a pensar como é lindo o nosso dinheiro e por que não querer tê-lo nas mãos?

É bom lembrar que o dinheiro na mão dá a sensação real do pagamento. Já percebeu que se você for pagar algo com dinheiro parece que dói mais do que passar o cartão de crédito? E, com o dinheiro na mão, você sabe qual é o seu verdadeiro limite. Então, uma solução para gastar menos é pagar com dinheiro.

E se você tem crianças para educar, priorize o contato com o dinheiro, inclusive para o lanche da escola. Elas estão na fase de aprender a contar os números e ter noções de quantidade. Por isso, enxergar de forma concreta o dinheiro ajudará a fazer as escolhas, as trocas, conferir o troco, saber juntar e esperar, e até optar por não gastar, preferindo ficar com ele em mãos.

Ainda que estejamos na era virtual, as nossas experiências do passado com o dinheiro ainda interferem muito na hora de tomarmos alguma decisão financeira. E o contato com o dinheiro pode ajudar a entender o que ele significa pra você e como lidar melhor com ele. A escolha está nas suas mãos.


*Esse texto foi publicado originalmente no site Bella Mais.

Fabiana G. Mendonça Machado

Sou sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Trabalho com programas individuais, treinamentos e palestras com foco em comportamento financeiro, ajudando as pessoas a organizar a vida financeira e lidar com o dinheiro com mais liberdade e consciência.

Sou colunista do Bella Mais, um site dedicado ao universo da mulher em diferentes segmentos, e escrevo semanalmente textos relacionados ao comportamento financeiro ao público feminino.

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