COM A PALAVRA, VOSSA MAJESTADE “O DINHEIRO”

Fabiana M. Machado

Quanta autoridade tem o dinheiro. O que seria para simplificar a vida como meio de troca, o dinheiro vem sendo usado de diversas formas, não apenas para pagar as contas, mas também nos relacionamentos. Como um bom aliado, majestoso e imperioso, o dinheiro empodera, mas também pode ser o vilão da história. Tudo depende do poder que damos a ele.

Diga quem eu sou

Dias atrás, uma artista de televisão dava uma entrevista com uma firmeza implacável e alegria radiante, mostrando ser uma mulher independente, confiante e autêntica, o que seria suficiente para admirá-la. Mas acho que não bastando a sua convicção, ela logo disse: “sou dona do meu cartão de crédito!”

Essa frase, que significa algo do tipo “quem paga as minhas contas sou eu e, por isso, não devo satisfação pra ninguém”, veio do fundo da alma. Sensação de vitória, conquista? Sem dúvida! Ser financeiramente independente torna a mulher orgulhosa de si mesma. E tem os seus méritos: traz liberdade, eleva a autoestima e muito mais.

Mas por que ainda precisamos do dinheiro para validar quem somos?

A busca pela independência não encontra resposta apenas em conquistar o próprio dinheiro, mas no próprio direito de liberdade e igualdade, nos nossos feitos, no respeito às nossas vontades, independentemente da quantidade de dinheiro que temos.

Sim, o dinheiro é necessário. E muitas vezes necessário para libertar de abusos. Também para mostrar as desigualdades, como a diferença salarial que ainda existe entre homens e mulheres (é sério que isso ainda existe?)

Sim, o dinheiro ainda serve para mostrar a realidade, mas não, não é dele que precisamos para mostrar a nossa a essência e encontrar a nossa liberdade.

Autoridade da família

Que o dinheiro é símbolo de poder, indiscutível. Mas, da mesma forma que usamos esse poder a nosso favor (e ele nos salva!), ele pode deixar lembranças e cultivar as mais profundas (e não tão positivas) emoções em torno do dinheiro por toda a vida. E isso acontece até nos simples atos da nossa modesta vida cotidiana sem filtros.

Um exemplo é a educação dos filhos. Educar filho não é uma tarefa simples, mas sabemos que a autoridade é dos pais (ou quem os representa), mesmo que seja preciso provar isso todos os dias… e, de alguma forma, o dinheiro serve para dar uma ajudinha.

Sabe aquela frase “enquanto eu tiver pagando as suas contas, quem manda sou eu”? Ou “fui eu que comprei o seu celular e tenho direito de saber a senha”?

Há conversas de família em que o dinheiro é chamado, mesmo que o assunto não lhe diga respeito, e acaba se tornando algo soberano na relação familiar. O dinheiro passa a ditar a regra e a punição, fortalecendo o ditado: manda quem tem dinheiro, obedece quem tem juízo. Dinheiro é opressor? Não, mas você acaba de ensinar isso ao seu filho.

E se você tem autoridade porque tem dinheiro, o que será de você se seu filho de 12 anos ganhar um celular de presente dos avós ou comprar com o próprio dinheiro fruto da mesada que você deu para “educá-lo financeiramente”?

Autoridade é você e não o dinheiro. As regras são suas enquanto pais cuidadosos e responsáveis pelos seus filhos, que dá o direito de saber a senha do celular para garantir a segurança deles e não por que pagou pelo aparelho.

E se você acha que educação financeira é só sobre números, hora de rever as suas próprias experiências e a forma como você fala e usa o dinheiro nas suas relações.

A autoridade sou eu

O dinheiro ajuda ou é motivo de conflito, empodera ou nos deixa no vazio, mas é fato que o dinheiro é necessário e voltamos ao início: é um meio de troca para as necessidades ou desejos, para atingir os objetivos. E isso o torna muito importante. Para além da sua importância, por que ainda damos tanto poder ao dinheiro?

Fabiana M. Machado

Sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Colunista do Bella Mais, escrevo textos sobre o comportamento financeiro e a relação com o dinheiro.

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