CESTA BÁSICA OU DINHEIRO?

Fabiana M. Machado

A pandemia parece não ter fim, mas o dinheiro sim. Diante da crise do coronavírus, uma forma de ajudar é com doação de cestas básicas. Não sei se você já comprou uma cesta básica para doar ou, ao menos, gosta da ideia, mas ajudar o próximo nos torna mais solidários e humanos. E se trocarmos a cesta básica por dinheiro, a doação fará o mesmo sentido ou nos tornamos parcialmente solidários?

Doar alimentos é uma forma de garantir a subsistência da família beneficiada, principalmente em comunidades carentes. Imaginamos que, ao doar uma cesta com alimentos básicos, vamos realmente alimentar uma família necessitada. Isso nos conforta. Não estaremos juntos na hora da refeição, mas a sensação de caridade e dever cumprido com a simples doação nos faz sentir bem.

Quando se fala em doar dinheiro, não parece ser tão confortável assim. Isso acontece com você? Afinal, quantas informações, pensamentos e sentimentos temos a respeito do dinheiro? E o que ele pode fazer com uma pessoa?

Imagino o que esteja passando na sua cabeça: Dinheiro, nem pensar! Dinheiro pode ser (facilmente) desviado. Dinheiro dado não será usado para comprar alimentos. Não se valoriza dinheiro dado. Vai gastar com o que não é essencial…

Interessante como associamos a ideia de sujeira ao dinheiro. Tanto no sentido físico (a nota ou a moeda que tocamos) quanto o que pensamos do que ele é capaz: desvio, corrupção, mau uso, ganância, poder. Como é comum o hábito de julgar negativamente as pessoas pelo uso do dinheiro!

Dinheiro traz facilidade

Mas é o dinheiro que torna tudo mais fácil, principalmente quando a doação pode ser feita on-line, de qualquer lugar do mundo. Imagina ter que sair de casa, em meio à pandemia, fazer compras no supermercado fechado (e geralmente lotado), carregar a cesta básica física, descarregar, levar até à pessoa ou instituição beneficiada. Quanto trabalho!

Agora, imagina que, com um clique, você pode fazer a sua doação? Parece fácil? Só que não. Os números de doações em dinheiro ainda parecem menores que a doação de cestas físicas. Falta de informação? Talvez. Mas eu ainda questiono: Desconfiança em doar dinheiro? Provavelmente!

Se você pensa assim, há alternativas para você sentir mais confiança em doar dinheiro. Várias ONGs, como a Cufa e o Banco de Alimentos, que contam com o apoio de grandes empresas e até artistas, estão disponibilizando a chamada cesta básica digital. É possível você doar dinheiro que será transferido para um cartão entregue à beneficiária para fazer a compra dos alimentos ou a própria instituição faz a compra.

A ideia é usar o dinheiro para facilitar a transação e também estimular o comércio local uma vez que a compra pode ser feita no bairro ou própria comunidade, apoiando comerciantes em diversas localidades.

Dinheiro traz liberdade

Quanto à finalidade do uso do dinheiro, é importante lembrar que o dinheiro traz liberdade de escolher o que fazer com ele, o melhor para nós, de acordo com a nossa vontade. Por que não querer dar essa liberdade para o outro?

Quando pensamos em fazer uma doação, escolhendo entre o alimento ou o dinheiro, estamos mesmo pensando no outro ou no que nos dá conforto e segurança?

A resistência em doar dinheiro pode ser pela desconfiança em como será utilizado o dinheiro. Mas, há muitas instituições e pessoas envolvidas em ajudar a fazer o bem. E pode estar na sua própria cidade ou bairro.

Mas saiba que os pensamentos sobre o que o dinheiro significa, como usar e o que ele pode proporcionar começam em você.

No que você quer acreditar: cesta básica ou dinheiro? Seja qual for a sua escolha, certamente faz bem.

Fabiana M. Machado

Sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Colunista do Bella Mais, um site dedicado ao universo da mulher em diferentes segmentos, e escrevo semanalmente textos relacionados ao comportamento financeiro ao público feminino.

Quer saber mais? Acompanhe a coluna semanal. Todas as quintas tem texto novo para você refletir sobre a sua relação com dinheiro.

Quer organizar a vida financeira e construir uma relação mais consciente e saudável com o dinheiro?

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*Este texto foi publicado no site Bella Mais, em 21/maio/2020.