ARRUMANDO O ARMÁRIO FINANCEIRO

Fabiana M. Machado

Você está arrumando os armários em casa durante a quarentena? Já abriu as gavetas? Viu quantas roupas e objetos você tem? Ou nem tem coragem de abrir e mexer em tudo que está guardado? 

Arrumar o armário é um excelente exercício para entender a sua relação com o dinheiro e rever o custo do seu estilo de vida. O custo não apenas financeiro, mas também emocional.

Pode faltar coragem. Mas em tempos de pandemia, que obriga a ficar em casa, arrumar o que fazer é uma boa opção. Quer saber para onde vai o seu dinheiro? Vamos começar! 

1. Abra os armários!

Abra os armários, as gavetas e explore o que há lá dentro, o que comprou e o que a levou a gastar o dinheiro.

Geralmente, mulheres têm mais roupas e acessórios que os homens. E que acabam se espalhando por vários cômodos da casa…quem nunca ocupou o armário dos outros integrantes da família com os pares de sapatos ou casacos que não cabem no seu? 

E aquela gaveta com utensílios da cozinha que nunca foram usados ou você nem sabe para quê servem? E a gaveta cheia de canetas, borrachas, lápis de cor… para quem tem filhos em casa, o material escolar dificilmente é usado até o final, sobrando para as gavetas!

Avalie tudo o que tem, cada item. Há roupas em excesso, que não servem, mas um dia podem servir, com a velha desculpa de que vai emagrecer? Há materiais sem utilidade? Seja qual o motivo, quanto dinheiro tem lá dentro?

2. Faça a seleção: serve ou não serve

É bem provável que você não precise de tudo que tem guardado e que muitas coisas nem façam sentido na sua vida.

A japonesa Marie Kondo, autora do livro ‘A mágica da arrumação’, sugere segurar o objeto e perguntar: isso te traz alegria? Te faz feliz? 

Entendo que você deva ter apenas coisas que são agradáveis. Mas tenho dúvida se falar de “alegria” faz tanto sentido, pois, quando você vai a uma loja ou faz compras on-line, muitas roupas despertam essa alegria que a faz colocar no carrinho e gastar mais dinheiro. 

A pergunta deve estar ligada ao sentido: qual o propósito de ter essa roupa ou objeto? Quanto custou do seu esforço para estar no armário? Não vale a pena dar mais valor e usar mais vezes? Realmente precisaria ter comprado?

Se for preciso desapegar, pode lhe dar uma renda extra com a venda da peça usada, além de ser útil para alguém.

Também acho que não faz sentido associar um objeto material à felicidade. Felicidade está acima de tudo isso. Mas se você compra para satisfazer um prazer, um desejo momentâneo, status social, aprovação dos outros, aparência… já pensou quanto isso custa?

Estamos sempre escolhendo onde colocar o nosso dinheiro. E, por vezes, perdemos a nossa essência para pagar por um estilo que mais nos consome do que nos agrada.

Se quer ter dinheiro para quando precisar (como muitos estão vivendo agora com a quarentena), para viagem no fim do ano, para um curso, não faz sentido comprar uma roupa (que possa ser substituída por outra que já tem) ou objetos para esquecer no armário. 

Que tal escolher guardar o dinheiro? Ele servirá mais em investimentos do que sem utilidade no armário.

3. Avalie o seu comportamento

Desculpas não faltam para justificar o comportamento de gastar. Mas é preciso abrir o armário, explorar e fazer a faxina, para entender o que está no controle na hora de comprar e descobrir novas possibilidades. 

Avalie se:

  • Comprou pensando apenas na aparência, para ter algo novo;
  • Comprou sem pensar que tem no armário algo que possa substituir;
  • Comprou mesmo sem ter dinheiro; 
  • Comprou escondido da família e escondeu no fundo do armário;
  • Simplesmente quis comprar, não importa o que foi;
  • Justifica todas as compras para acreditar que fez a melhor escolha;
  • Está endividada e esconde a situação;
  • Olha para o armário e se pergunta: por que gastei tanto?

Um sim para algum dos itens acima é motivo para rever o seu comportamento e adquirir a maturidade para tomar as decisões necessárias. Pode faltar coragem para arrumar o armário, mas é preciso coragem para crescer.

Muitas vezes, é preciso ir além de escolher economizar e não gastar. É preciso entender o significado de gastar e deixar no fundo do armário ou encher gavetas. 

Por isso, é hora de abrir o armário financeiro! Entender o comportamento na hora de gastar. Dar valor e cuidar do que possui. Assumir o controle da vida financeira. Repensar a forma de viver e gastar. Afinal, podemos nos dar ao luxo de perder mais? Acho que não.

Fabiana M. Machado

Sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Colunista do Bella Mais, um site dedicado ao universo da mulher em diferentes segmentos, e escrevo semanalmente textos relacionados ao comportamento financeiro ao público feminino.

Quer saber mais? Acompanhe a coluna semanal. Todas as quintas tem texto novo para você refletir sobre a sua relação com dinheiro.

Quer organizar a vida financeira e construir uma relação mais consciente e saudável com o dinheiro?

Vamos conversar

*Este texto foi publicado no site Bella Mais, em 14/maio/2020.

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