A FALTA QUE O TRABALHO FAZ

Fabiana M. Machado

Inúmeras incertezas e duas grandes preocupações: saúde e dinheiro. É só o que temos ouvido nos últimos dias. Com um olhar um pouco além, convido você a refletir sobre o que há por trás: o trabalho. Enquanto uns trabalham para salvar vidas, muitos necessitam voltar ao trabalho porque a vida não pode parar.

O trabalho é uma necessidade, independente de esforço, de equipe ou de dinheiro. O que importa é o resultado. Mas qual resultado?

Trabalhamos para o provento, para o sustento, para suprir as necessidades e os desejos. Fazemos uma troca, um escambo, ou substituímos por dinheiro. Foi a escolha que fizemos no passado. Dinheiro facilita a circulação do comércio e serviços. E tudo flui. Mas, se o dinheiro falta, vem a preocupação e, logo, o desespero. Em desespero, é difícil raciocinar.

Ao contrário, cobramos a conta. Há alguém para nos salvar? Buscamos amparo, apoio dos próximos ou distantes, mas, nessa hora, é difícil saber onde encontrar a resposta. Muito menos entender o que se passa com as nossas emoções, diminuir a ansiedade, não se desesperar com o medo e conter a raiva. Pra quê?

Afinal, é chato esse assunto de ter que lidar com as emoções. Apenas trabalhe, trabalhe, trabalhe e procure ganhar dinheiro com isso. Ou seja esperto e inteligente o suficiente para ganhar dinheiro sem trabalhar. Nesse contexto, infelizmente, quem ganha pouco carrega um atestado de fracasso e incompetência durante toda a vida. E está sempre na luta.

Mas, de repente, surge um cenário nunca imaginado. E o pior: incerto. Como ficará a saúde e o dinheiro, quais as medidas, por quanto tempo e quais as consequências? Não se sabe. Mas vem à tona uma grande necessidade: a de trabalhar urgentemente.

Voltamos ao início: trabalhar é uma necessidade. Atualmente, para socorrer os doentes, para encontrar a cura, para produzir equipamentos e remédios, para construir hospitais de campanha, para cuidar de quem precisa de cuidado, para entregar alimentos e remédio à população, enfim, para proteger vidas.

Trabalhamos porque precisamos do resultado, mesmo que seja o dinheiro, porque esse irá nos proporcionar outros resultados: comida, conforto, segurança, saúde, prazeres, etc.

Trabalhamos porque o outro precisa de nós. Mesmo quem não precisa trabalhar pelo dinheiro, pode ser útil em algo para ajudar. Se não tivesse trabalho, como o mundo estaria sendo atendido? Além dos profissionais, há muitos voluntários. E enquanto alguns não podem trabalhar, outros trabalham por eles. Enfim, trabalhar, além de necessário, faz bem. (Clique aqui e confere a minha coluna sobre o valor de quem cuida).

Muitos empreendedores que geraram grandes fortunas trabalharam muito. E contaram com a colaboração de muitos trabalhadores. Porque o trabalho é necessário para alcançar o que deseja. E o dinheiro pode fazer muito mais do que suprir as próprias necessidades e desejos. Pode ajudar a salvar o mundo.

Já tive uma cliente preocupada com o filho que se interessava muito por dinheiro e sempre queria vender e negociar alguma coisa. Respondi: se ele tem essa facilidade em gerar dinheiro, não o condene. Apenas o oriente a fazer bom uso do dinheiro.

Talvez você não queira depender do trabalho para gerar dinheiro, mas o que impede de trabalhar? E por que trabalho é sinônimo de sofrimento?

O momento mostra que o corpo pode ser frágil diante de uma doença, mas é um valioso instrumento do trabalho, não apenas braçal, mas também intelectual. Com o trabalho, descobertas são feitas a todo momento, ideias são transformadas em produtos ou serviços, há inovação, aperfeiçoamento e mais benefícios são gerados à humanidade.

Como resultado do trabalho, recebemos conhecimento, ficamos conectados, viajamos a diversas partes do mundo, vivemos experiências, nos alimentamos, etc etc etc.

Melhor ainda quando utilizamos, além da mente, o coração, não apenas para ser solidário e ajudar o próximo, mas para realizar com amor, gratidão e dedicação o nosso trabalho.

Por estarmos diante de tantas incertezas e desordem, é possível perceber que ainda estamos aprendendo a organizar, respeitar e valorizar o trabalho. Ainda não nos habituamos a reconhecer o que fazemos e o que o outro faz. E a encontrar no trabalho a sua verdadeira utilidade.

Para a falta de dinheiro existirá um remédio, ainda que amargo.

Mas para o trabalho… talvez um dia não seja mais necessário. Enquanto isso não acontece, que ele possa ser valorizado em todas as suas formas e resultados porque, como vivemos, dele precisamos e a vida não pode parar.

Fabiana M. Machado

Sócia-fundadora da MoneyMind® e especialista em comportamento financeiro. Colunista do Bella Mais, um site dedicado ao universo da mulher em diferentes segmentos, e escrevo semanalmente textos relacionados ao comportamento financeiro ao público feminino.

Quer saber mais? Acompanhe a coluna semanal. Todas as quintas tem texto novo para você refletir sobre a sua relação com dinheiro.

Quer organizar a vida financeira e construir uma relação mais consciente e saudável com o dinheiro?

Vamos conversar

*Este texto foi publicado originalmente no site Bella Mais, em 09.abril.20.